segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Enredo teatral na melodia de Los Hermanos

Muitos dos fãs de Los Hermanos têm apreço pela música Pierrot. Pode ser pelo som contagiante ou até pelos diferentes ritmos presentes em apenas uma música. Porém, por trás de mais uma canção do primeiro CD do grupo, é explorado um enredo teatral.

A música é inspirada na conturbada história de amor do casal Pierrot e Colombina, que surgiu no estilo teatral Commedia dell’Arte, criado no século XVI, na Itália. A história conta que eles eram amigos de infância. Pierrot sempre foi apaixonado por Colombina, sem ela saber. Um dia, o trovador Arlequim chegou a cidade e roubou o coração da moça. Ambos fugiram e Pierrot, deprimido, só chorava de saudades da amada. Mas, a história teve um final feliz. Em seus pertences, Colombina encontrou uma carta em que Pierrot revelava seu sentimento. Emocionada, percebeu que tinha deixado seu verdadeiro amor para trás. Assim, Colombina voltou a cidade e se casou com Pierrot.

Até hoje a história é retratada no carnaval italiano, mais precisamente em Veneza. O enredo, interpretado pelo triangulo amoroso, é visto nas marchinhas, máscaras e fantasias, no geral.


Pierrot no DVD LH no Cine Íris


O DVD Los Hermanos no Cine Íris, gravado em 2004, representava a turnê do álbum Ventura, o terceiro da banda. Apesar da música estar no repertório do primeiro CD, a plateia não se conformava em deixar de ouvi-la e pedia: “Pierrot, Pierrot”. Para atender o gosto do público, o guitarrista, Rodrigo Amarante confirmou: “Vamos tocar uma música fora do protocolo”.


Durante a música, que pode ser considerada uma marchinha de carnaval (moderna, é claro) o guitarrista toca pandeiro durante a apresentação. Ao final, quando é enfatizada a tristeza do protagonista da canção, o público vibra ainda mais. Após o vocalista Marcelo Camelo cantar o trecho “E o Pierrot...”, é entoado pelos fãs, aos gritos: “Chora!”. A mim, como mais uma fã da banda, ficou apenas a vontade de estar naquele meio.



Link de acesso ao clipe da música Pierrot no Cine Íris


Por Bruna Oliva

Análise do longa "A pessoa é para o que nasce"


Três irmãs idosas, todas cegas, andavam pelas ruas de Campina Grande tocando ganzá e cantando diversas canções a fim de conseguir algum trocado para ajudar nas despesas. O que a história de Maria, Regina e Conceição, mais conhecidas como Maroca, Poroca e Indaiá, respectivamente, poderia lembrar ao povo brasileiro? A precária aposentadoria dada aos nossos idosos? Ou talvez um apelo às autoridades quanto a miséria do Nordeste? Quem acompanhou o longa A pessoa é para o que nasce, com certeza sentiu algo a mais do que isso. O filme se tornou uma mescla de sensações no público, seja pela tristeza, emoção, indignação.


O sofrimento das “ceguinhas” de Campina Grande não era apenas na rua, por conta de conseguirem míseros trocados, que mal ajudavam a manter a casa. Mas, no próprio âmbito familiar, com a morte do pai, elas tiveram que sustentar toda a família e o novo namorado da mãe com o dinheiro ganho nas ruas. A história se resume em uma frase, que elas mesmas dizem: “O feio trabalha para o bonito comer”.


Mas, quem pensa que a vida delas sempre esteve a mercê do sofrimento, está enganado. Mesmo com as dificuldades financeiras, nunca perderam o ânimo para cantar a vontade de seguir na vida. Isso se torna ainda mais nítido quando uma mulher pergunta a Maroca, na igreja, se elas iriam receber algum dinheiro com as filmagens. Ela simplesmente respondeu: “Se quiserem dar, tudo bem. Se não, não tem problema”.


Com a notoriedade que a produção do filme estava gerando, os holofotes da mídia se viraram para as irmãs. O auge foi a apresentação que fizeram no Festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan), de 2000, onde subiram ao palco com Gilberto Gil. O sucesso foi traduzido nos elogios que receberam de muitos dos presentes. “Nunca pensei que fosse receber tanto carinho”, confirma Maroca em uma das cenas.


A parte mais polêmica do longa foi passada ao final. As irmãs aparecem numa praia e, como sempre cantando. Após a cantoria, tiram a roupa e vão nuas para o mar. Mas, no contexto, será que a cena é realmente motivo para polêmicas e criticas? Isso serviu apenas para mostrar a inocência que ainda faz parte da vida de Maroca, Poroca e Indaiá. E a nudez não foi nada perto de tudo o que a produção explorou e desvendou sobre suas vidas e demais intimidades.



Maroca: a protagonista das protagonistas


O filme coloca as três irmãs como personagens principais. Mas, é possível perceber que o destaque foi dado para Maroca. Ela foi a única das irmãs que se casou. E, justamente por conta disso, passou por sofrimentos amorosos, os quais foram abordados no filme. Um deles acabou incluindo Poroca e Indaiá. Ao final do filme, ela diz que guarda um ressentimento das irmãs, uma vez que elas foram amantes de seu falecido marido. Ela confirmou com a frase: “Eu não sei odiar, mas tenho mágoa”.


Além disso, o desprezo de sua filha, Maria Dalva, é apontado como outro fardo para Maroca. A menina, ainda criança, foi adotada e levada para outra cidade. Quando Dalva completou 9 anos, voltou a morar com a mãe e as tias. Ela, que antes era uma menina carinhosa e obediente, com o tempo se tornou grossa e ignorante.


Alguns anos depois, Dalva começou a namorar Ismael e o levou para morar na nova casa das irmãs “ceguinhas” – comprada com o dinheiro ganho nas apresentações. Até mesmo uma mensagem subliminar mostra a falta de respeito da menina pela mãe e as tias. Em várias partes da casa, como janelas e portas, ela escreveu “Ismael & Dalva”, mostrando o desdenho com uma casa comprada com o dinheiro suado de Maroca, Poroca e Indaiá.


Por Bruna Oliva

Associação dos Violeiros de Muriaé: representação da música caipira na cidade

Meio a estilos musicais contemporâneos e passageiros, que estão cada vez mais presentes no cotidiano do brasileiro, a música caipira ainda se mantém firme. Em Muriaé, Antônio Carlos da Rocha, José Querilo de Lourena (Zé Olavo), João Paulo de Souza e a dupla Waldecir e Adlley representam o estilo através da Associação dos Violeiros.

A Associação surgiu em 25 de setembro de 2005. A princípio, o grupo começou com 10 pessoas, entre violeiros e apenas interessados na música. Hoje, já são 40 filiados. Segundo Antônio Carlos, para ser um membro da Associação a pessoa deve gostar de música, mas não precisa necessariamente saber tocar. “O filiado pode ajudar também em nossas apresentações”, confirma.

As melodias se traduzem na história do homem rural. É um tipo de música perene, mantida meio aos estilos musicais efêmeros que costumamos ouvir diariamente. Além das composições próprias, os violeiros também incluem famosos, como Almir Sater e Renato Teixeira, no repertório.

Os violeiros se apresentam para o público muriaeense todo primeiro domingo de cada mês, no Clube da Maioridade. Além disso, conduzem o programa “Levanta Sertão”, veiculado na Rádio Atividade todos os sábados, de 6h às 8h, onde tocam ao vivo.

Através da Lei Alcyr Pires Vermelho, de Incentivo a Cultura, foi aprovado o Projeto Viola Viva. O projeto deu maior visibilidade à Associação dos Violeiros de Muriaé, fazendo com que eles se apresentassem na tradicional Exposição Agropecuária da cidade, em 2010.


Notoriedade dos violeiros

O sucesso da Associação dos Violeiros de Muriaé se estendeu até mesmo para fora da cidade. Em 2008, participaram no programa “Terra Padroeira”, veiculado em um canal fechado da TV Aparecida, em São Paulo. Já em 2009, se apresentaram no programa “Brasil Caipira”, da TV Câmara de Goiás, além de participações na Rádio Aparecida e no programa “Manhã Sertaneja”, em São Paulo.

Na Zona da Mata, acontece anualmente o Festival de Gastronomia e o Fest Viola, no pequeno distrito de Piacatuba, pertencente à Leopoldina. Neste ano, na 8ª edição do Fest Viola, o violeiro Zé Olavo levou o primeiro lugar, com a canção “Identidade Caipira”.



Por Bruna Oliva

Bolero de Ravel: obra francesa mais tocada no mundo


Pode-se dizer que é impossível não associar o compositor e pianista francês Maurice Ravel a famosa melodia instrumental Bolero. Isso porque é considerada a obra francesa mais tocada no mundo. Segundo palavras do próprio Ravel, Bolero é uma peça para orquestra sem música.

Com um tom baixo, aumentando proporcionalmente até chegar a intensidade máxima, a instrumentação deixa no ar um sentimento de luta, persistência, até, definitivamente, alcançar o objetivo.

A obra de Ravel foi composta em 1928, originalmente para um ballet, atendendo a um pedido da dançarina russa Ida Rubinstein. A estreia aconteceu em 22 de novembro do mesmo ano, na Ópera Garnier, em Paris. Uma das dançarinas foi a própria Rubinstein, que causou polêmica devido a sensualidade da coreografia.

Por Bruna Oliva