Além dos consumidores, o telemarketing também é estresse constante para os atendentes
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Algumas pessoas têm traumas quando se fala em atendimentos por telefone. Quem nunca precisou de uma informação com urgência ou cancelamento de algum serviço nos call centers e escutou a famosa frase em tom de gerúndio clichê: “Vou estar te repassando para outro setor”? Além disso, também é comum receber ligações de operadores de telemarketing oferecendo produtos ou serviços.
Atualmente, o telemarketing gera mais de 700 mil empregos diretos. É considerado o segundo setor que mais emprega no país, só perdendo para o comércio. Em contrapartida, é o campeão de reclamações e um dos mais estressantes, não só para os consumidores, mas também para os próprios atendentes. Isso é devido à severa cobrança dos supervisores para o alcance de metas e a exaustão de repetir sempre o mesmo script para atender ou vender, sem falar do estresse e ansiedade dos próprios clientes, que acabam os contagiando.
É o que confirma a ex-operadora de telemarketing ativo, Juliana Correa. A pressão psicológica e as exigências cada vez maiores em adquirir clientes foi o que impulsionou a sua saída do ramo.“Às vezes, quando não dava conta, os superiores até agiam de forma grosseira”. Hoje, ela está fazendo acompanhamento psicológico e terapia ocupacional, devido aos traumas que ficaram da antiga profissão.
Desgostos e estresses da profissão
Vários fatores regem os desgostos com a profissão. O cumprimento do tempo de ligação é um deles. Os atendentes de call centers são instruídos a atender os clientes no menor tempo possível. Com a nova lei dos call centers, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, foi proposto que o cliente tenha obrigatoriamente o contato de até um minuto com o atendente.
No telemarketing ativo, os operadores recebem metas diárias ou mensais de vendas. Juliana Correa também cita outro problema associado ao telemarketing: o preconceito das pessoas. “Quando eu ligava, muitas vezes, inventavam desculpas para não atender”.
Para tentar controlar o estresse causado pela profissão, a psicóloga Vivian Ligeiro afirma que ter uma atividade paralela ao trabalho e que dê prazer auxilia no controle da mente. Além disso, exercícios físicos amenizam os desconfortos musculares, já que a pessoa fica boa parte do dia em uma única posição. Para os cuidados com a voz, o ideal é beber muita água e comer maçã constantemente. A fruta funciona como “limpeza natural” da boca e da laringe.
Repercussão da lei dos call centers
Além do atendimento em até um minuto, na nova lei dos call centers o famoso repasse de setor ou transferência de ligação também foi abolido. Entretanto, as recomendações são válidas apenas para os serviços regulados pelo governo, como empresas de telefonia, energia e de transportes aéreo e rodoviário.
Apesar de ter entrado em vigor há pouco mais de um ano, a lei não surtiu efeito para muitas empresas. As de telefonia fixa e móvel ainda lideram as reclamações gerais. Operadoras de celular têm 29,6% de insatisfação, enquanto as de telefonia fixa, 24,21%. Os principais problemas ainda questionados pelos clientes são as dificuldades de acesso e cancelamento de serviços.
Há cerca de dois meses, a jornalista Aliris Fintelman contatou sua companhia telefônica para mudar de plano. Ligou várias vezes e os atendentes não davam respostas claras e objetivas, apenas transferiam a ligação para outro setor. Ela, que também já foi atendente de telemarketing receptivo, acredita que a falta de acesso a determinados dados do sistema dificulta a solução imediata de certos problemas dos clientes.
De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Defesa do Consumidor (Procon) de Muriaé, Jaci Oliveira, o órgão não pune diretamente os atendimentos que não foram eficazes. Na verdade, tenta solucionar o problema em questão que não foi devidamente resolvido ao telefone. Assim, a reclamação será estudada e, se for procedente, a empresa será notificada para uma audiência de conciliação, como uma maneira de auxiliar o cliente a conseguir os seus direitos.
A preparação dos atendentes
No ramo do telemarketing existem dois tipos de operadores: receptivo e ativo. Os atendentes receptivos são aqueles que recebem chamadas dos clientes da empresa na qual trabalham. Eles são encarregados de indicar ou solucionar problemas, de forma que o cliente fique satisfeito. Por outro lado, os ativos são responsáveis por ligar para as pessoas, seja para comprar ou vender produtos ou serviços.
Devido à grande demanda do mercado de trabalho por profissionais de telemarketing, estão surgindo cada vez mais cursos para o aperfeiçoamento na área. Pela internet já é possível encontrar cursos a distância, oferecendo o mesmo conteúdo de aulas presenciais. Ao final, é feita uma prova e, mediante o resultado, a pessoa recebe o certificado em casa.
O recrutamento de atendentes de telemarketing nas empresas é um caminho longo e com etapas a serem cumpridas. De acordo com a coordenadora de telemarketing da Fundação Cristiano Varella, Rosemary Souza, a partir dos currículos enviados, o setor de Recursos Humanos agenda as entrevistas. Posteriormente, os candidatos são submetidos a testes psicográficos e práticos, orientados por uma empresa de consultoria de telemarketing.
Durante as ligações, os atendentes recebem scripts, ou seja, um roteiro que facilita a organização e a condução daquele atendimento. Além disso, eles também melhoram a habilidade de lidar com o cliente e, consequentemente, a execução do trabalho.
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Algumas pessoas têm traumas quando se fala em atendimentos por telefone. Quem nunca precisou de uma informação com urgência ou cancelamento de algum serviço nos call centers e escutou a famosa frase em tom de gerúndio clichê: “Vou estar te repassando para outro setor”? Além disso, também é comum receber ligações de operadores de telemarketing oferecendo produtos ou serviços.
Atualmente, o telemarketing gera mais de 700 mil empregos diretos. É considerado o segundo setor que mais emprega no país, só perdendo para o comércio. Em contrapartida, é o campeão de reclamações e um dos mais estressantes, não só para os consumidores, mas também para os próprios atendentes. Isso é devido à severa cobrança dos supervisores para o alcance de metas e a exaustão de repetir sempre o mesmo script para atender ou vender, sem falar do estresse e ansiedade dos próprios clientes, que acabam os contagiando.
É o que confirma a ex-operadora de telemarketing ativo, Juliana Correa. A pressão psicológica e as exigências cada vez maiores em adquirir clientes foi o que impulsionou a sua saída do ramo.“Às vezes, quando não dava conta, os superiores até agiam de forma grosseira”. Hoje, ela está fazendo acompanhamento psicológico e terapia ocupacional, devido aos traumas que ficaram da antiga profissão.
Desgostos e estresses da profissão
Vários fatores regem os desgostos com a profissão. O cumprimento do tempo de ligação é um deles. Os atendentes de call centers são instruídos a atender os clientes no menor tempo possível. Com a nova lei dos call centers, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, foi proposto que o cliente tenha obrigatoriamente o contato de até um minuto com o atendente.
No telemarketing ativo, os operadores recebem metas diárias ou mensais de vendas. Juliana Correa também cita outro problema associado ao telemarketing: o preconceito das pessoas. “Quando eu ligava, muitas vezes, inventavam desculpas para não atender”.
Para tentar controlar o estresse causado pela profissão, a psicóloga Vivian Ligeiro afirma que ter uma atividade paralela ao trabalho e que dê prazer auxilia no controle da mente. Além disso, exercícios físicos amenizam os desconfortos musculares, já que a pessoa fica boa parte do dia em uma única posição. Para os cuidados com a voz, o ideal é beber muita água e comer maçã constantemente. A fruta funciona como “limpeza natural” da boca e da laringe.
Repercussão da lei dos call centers
Além do atendimento em até um minuto, na nova lei dos call centers o famoso repasse de setor ou transferência de ligação também foi abolido. Entretanto, as recomendações são válidas apenas para os serviços regulados pelo governo, como empresas de telefonia, energia e de transportes aéreo e rodoviário.
Apesar de ter entrado em vigor há pouco mais de um ano, a lei não surtiu efeito para muitas empresas. As de telefonia fixa e móvel ainda lideram as reclamações gerais. Operadoras de celular têm 29,6% de insatisfação, enquanto as de telefonia fixa, 24,21%. Os principais problemas ainda questionados pelos clientes são as dificuldades de acesso e cancelamento de serviços.
Há cerca de dois meses, a jornalista Aliris Fintelman contatou sua companhia telefônica para mudar de plano. Ligou várias vezes e os atendentes não davam respostas claras e objetivas, apenas transferiam a ligação para outro setor. Ela, que também já foi atendente de telemarketing receptivo, acredita que a falta de acesso a determinados dados do sistema dificulta a solução imediata de certos problemas dos clientes.
De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Defesa do Consumidor (Procon) de Muriaé, Jaci Oliveira, o órgão não pune diretamente os atendimentos que não foram eficazes. Na verdade, tenta solucionar o problema em questão que não foi devidamente resolvido ao telefone. Assim, a reclamação será estudada e, se for procedente, a empresa será notificada para uma audiência de conciliação, como uma maneira de auxiliar o cliente a conseguir os seus direitos.
A preparação dos atendentes
No ramo do telemarketing existem dois tipos de operadores: receptivo e ativo. Os atendentes receptivos são aqueles que recebem chamadas dos clientes da empresa na qual trabalham. Eles são encarregados de indicar ou solucionar problemas, de forma que o cliente fique satisfeito. Por outro lado, os ativos são responsáveis por ligar para as pessoas, seja para comprar ou vender produtos ou serviços.
Devido à grande demanda do mercado de trabalho por profissionais de telemarketing, estão surgindo cada vez mais cursos para o aperfeiçoamento na área. Pela internet já é possível encontrar cursos a distância, oferecendo o mesmo conteúdo de aulas presenciais. Ao final, é feita uma prova e, mediante o resultado, a pessoa recebe o certificado em casa.
O recrutamento de atendentes de telemarketing nas empresas é um caminho longo e com etapas a serem cumpridas. De acordo com a coordenadora de telemarketing da Fundação Cristiano Varella, Rosemary Souza, a partir dos currículos enviados, o setor de Recursos Humanos agenda as entrevistas. Posteriormente, os candidatos são submetidos a testes psicográficos e práticos, orientados por uma empresa de consultoria de telemarketing.
Durante as ligações, os atendentes recebem scripts, ou seja, um roteiro que facilita a organização e a condução daquele atendimento. Além disso, eles também melhoram a habilidade de lidar com o cliente e, consequentemente, a execução do trabalho.
Reportagem por Bruna Oliva
Sob edição da professora Adriana Passos