sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jornalista que é jornalista tem que escrever tudo

Acostumados com o estilo objetivo e direto, sempre pautado pelos professores, estudantes dos cursos de jornalismo, geralmente, levam um “susto” quando têm o primeiro contato com o jornalismo literário. Mas, ao longo do que vai conhecendo e praticando, acaba se tornando prazeroso.

O estilo, que tem o intuito de associar a narrativa jornalística à literária, surgiu muito antes do que se imagina. No final do século XIX e começo do XX, o jornalismo literário já era praticado, por conta do perfil dos jornais da época. Porém, com a modernização e o desenvolvimento da industrialização, o modelo objetivo – o qual mais lidamos nas faculdades – tomou espaço. A volta do jornalismo literário aconteceu entre os anos 60 e 70, com o New Journalism, que teve como principais precursores os estadunidenses Gay Talese, Tom Wolfe, Norman Mailer e Truman Capote.

Mas, afinal, jornalismo e literatura não são distintos? Um não prega a verdade absoluta e o outro permite a ficção? Essa é uma das constantes dúvidas quando se pensa em jornalismo literário. Na verdade, o “novo” estilo não é para “burlar as leis” do jornalismo, como testemunho do real e imparcialidade. O que deve ser levado em conta são aspectos literários durante a produção do texto. Isso é, não preocupar-se com a forma, mas sim com o conteúdo. Assim, a estética do texto é recuperada, tornando-se mais subjetivo, com o olhar voltado também para detalhes, muitas vezes passados desapercebidos em textos objetivos.

Contudo, deve-se ter cuidado para não extrapolar algumas regras básicas do jornalismo. Por ser um texto com uma maior liberdade durante o processo de produção, alguns estudantes acham que podem demonstrar suas impressões e gostos de forma explícita, o que não é verdade. Portanto, nada de colocar um adjetivo sem depois explicar porque foi utilizado.

Embora seja importante lidar com a objetividade, o jornalista capacitado deve saber diferenciar e estar apto a produzir qualquer tipo de texto jornalístico. Apesar das novas mídias optarem por cada vez menos caracteres, o texto mais elaborado ainda deve ser valorizado. E quem não fica com aquela sensação de “dever cumprido” após ter produzido um texto mais aprofundado? Com certeza, não é com a mesma intensidade de redigir um mais objetivo.



Artigo por Bruna Oliva
Sob revisão da professora Adriana Passos

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